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Frases Soltas

Então senta ao meu lado no ônibus, uma “mocinha” falando ao celular:

“Pimenta no cú dos outros é refresco, no meu é R$100,00”.

De imediato fui levada a uma viela da memória no vale da minha tenra juventude. Nesta idade eu queria apenas refresco. Sabe o refrigério do amor do príncipe encantado, mesmo que  ele não fosse príncipe (nunca namorei ninguém escandalosamente bonito) e nem encantado, afinal de contas que tipo de encanto pode-se esperar num reino suburbano?!

Enfim, com tanto pseudopríncipe  e tanto desencanto, se tivesse cobrado cenzinho em cada desencanto, hoje estaria frustrada em Paris, quem sabe?!

Hora de descer!

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Fazendo História

Com a regravação de O Astro, minha mãe estava aqui outro dia na sala falando do frenesi que as fãs tinham com seus ídolos da TV antigamente. Um papo de serem rasgados na rua, no afã de serem tocados ou serem apedrejados por conta dos vilões diabólicos. Imaginem: Saídos de rádio novelas, onde a imaginação conta mais do que o enredo em sim e de repente desembarcando no sofá das donas de casa… Uma mágica! As pessoas não sabiam administrar, entender que tudo seguia um roteiro, uma sinopse, etc.

Mesmo muita gente achando que o rádio está obsoleto, tem pessoas fiéis, que continuam usando o meio para fazer companhia. Há uns dois anos, mais ou menos, estava fazendo um comentário no rádio, quando o locutor faz uma brincadeira:

– Eu quero saber o seguinte: você ajuda sua mamãe em casa?
– Ajudo, claro. Sou assistente de cozinha
– Ah, é? Você descasca os legumes, separa as receitas?
– Tá doido? Eu chego em casa, me estico no sofá e quando a panela cheira eu grito: Manhêêê, tá queimando!!!

A história foi improvisada, mas rendeu tantas ligações, de gente querendo puxar as minhas orelhas, que a brincadeira persistiu por mais dois dias, em entradas minhas no mesmo horário. Compraram o barulho e não foram só as vovós, não.

E aí, você pensa: O rádio é ouvido por gente mais antiga, que ainda tem aquela imaginação do início. Cumprem fiel pacto ficcional.  E nós que somos jovens com a internet? Todo mundo sabe que por trás de grandes marcas (ou não tão grande assim) tem uma agência de publicidade, um analista de mídias, um profissional capacitado pra nos envolver ou nos responder, mas ainda assim, tem gente que não cai a ficha.

Acham que os “Eduardo e Mônica” aparecem do nada, que garotos são capazes de pular o carro em movimento, e mais todos os virais são comprados como verdade e digeridos por bilhões de pessoas que nem se questionam. Ah, sim, claro, também tem os alucinados que cutucam empresas no FB… Gente, não sei pra que cutucar alguém, que dirá uma empresa…

Voltamos ao tempo da vovó, mas agora nós seremos as vovós que viveram os primórdios virtuais e, assim como nossos antepassados, criamos identidade e vínculo afetivo com os personagens dessa nova forma de trabalhar e entender o mundo. E como tudo caminha muito mais rápido hoje, mais cedo deixaremos de ser História Contemporânea, para ser História (pós) moderna.

O que tem demais? Nada. Hoje estou apenas contemplativa.

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