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Esperar Sentado

Na ocasião do falecimento do meu pai, entramos com um pedido de alvará para retirarmos uma quantia que havia depositado no Banco Itaú. Poupança de pobre. Sabem como é. Não chega a ser quase nada para cada uma das herdeiras (minha mãe e duas irmãs). Ainda assim, merrequinha nossa, com planos em conjunto para ela. União faz a força, afinal.

Primeiro foi um tal de pagar isso, pagar aquilo, custas disso e mais aquilo. Até o famigerado Imposto de Transferência nos debitaram: R$600,00 assim, de uma hora para outra… Uma merrequinha também se formos pensar no custo de vida do brasileiro, mas justamente por isso, um rombo no orçamento. Quase abrimos mão de receber o dinheiro, por não ter de onde tirar o tal imposto.

Quatro anos depois, abro o site do TJ e levo um susto (bom): A grana está enfim liberada. Ligo para o advogado eufórica e sou informada que ainda não há nada nosso. Precisa ainda ser publicado em Diário Oficial.

– Quando tempo leva isso, doutor?
– Não sei. Você tem algum conhecimento por lá?

dinheiro

Que justiça é essa me digam? Deixam viúva e filhas em suspenso em um intervalo interminável e ainda pra ser feita com alguma agilidade precisa conhecer alguém?

É uma agressão, um desrespeito. Neste país simplesmente sambam na cara dos cidadãos. Ninguém é capaz  de cumprir os direitos básicos. Meu pai juntou um dinheirinho para nos dar alguma tranqüilidade e o que recebemos é pânico. Sim, porque eu não durmo direito pensando se o banco já passou a mão no que é meu, se um dia vou receber… São entraves e entraves… Não existe briga entre os herdeiros, não há qualquer embargo, apenas a morosidade, a injustiça, a existência de pessoas de má vontade, a espera de que lhe caia alguma migalha para abrir a porta.

Tudo isso, mais uma vez, culpa do jeitinho brasileiro que muita gente se orgulha, mas eu repudio. Essa democracia não me representa.

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O alto preço de ser brasileiro

           O governador Sérgio Cabral enviou à Assembléia Legislativa para votação o projeto de lei (PL nº 1836/2008) que coloca na “lista negra” do SPC e Serasa contribuintes do Estado do Rio com débitos de impostos como IPVA, ICMS e Taxa de Incêndio.

Em relação ao famigerado IPVA, ao que me consta, é um dinheiro que deveria ser revertido em conservação e abertura de novas vias. Mas cadê? Ao invés disso, a todo o momento aparece um pedágio em uma rodovia diferente, sinal de privatização da estrada. Ou seja, o Estado passou a frente a sua responsabilidade da manutenção do nosso dinheiro. E as desculpas para isso são muitas.

Já pararam para analisar quantos impostos pagamos para não recebermos nenhum benefício?

 

          IPTU, ISS, INSS, ICMS, IPVA, IOF, IR, IPI… Ao todo são 61 impostos que pagamos direta ou indiretamente. E lanço o desafio: Alguém sabe quanto, como e para quê tanto desconto?

 

Se não consegue responder, tenha ao menos a visão de que esses impostos abocanham o equivalente a 148 dias de trabalho do seu ano, o equivalente a cinco meses do seu suor. A”desculpa” para tantos tributos é a garantia da seguridade social.

Na prática, pagamos por saúde (INSS, por exemplo) e ainda o plano de saúde particular, para não morrer na fila de espera. Pagamos por educação (IR, por exemplo) e depois as escolas e faculdades dos nossos filhos, porque as vagas são limitadas e a instituição precária. Pagamos por segurança e, somos assaltados duas vezes no mês, porque a polícia diz não ter contingente.

A reforma tributária para o bem do assalariado não chega nunca, são vários entraves, mas votação para prejudicar a nós, Zes Marmitas, anda a passos largos. Podem apostar. Somos escravos de nós mesmos que não tomamos nenhuma atitude frente a esses desmandos. E eu só me pergunto: Meu Deus, até quando?!

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