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Sei lá. Entendem?

Não ando com vontade de falar nada. Claro que continuo vendo as coisas desse Brasil e me revoltando com 82% dos descasos, desmandos, desserviços, etc. Mas é que não tenho mais aquela válvula motora de sair “dando uma voadora”. É como se eu tivesse desistido de ser o papagaio que apaga sozinho o fogo da floresta.

Outro dia mesmo o povo estava efervescente, indo para as ruas… Só que foram lá para vandalizar, escandalizar, se perderam do objetivo. Muita gente diz que é golpe político, gente infiltrada, que seja, mas se o objetivo fosse claro, se o ideal fosse honesto, não  teria como contaminar a massa. Foi tudo se amainando e hoje ninguém mais se lembra daqueles centavos da passagem e, quando se reúnem é pra quebrar vitrine de loja.

Não sei bem se o recado foi dado. Se o povo realmente aprendeu como se faz. Ou se nos enfiaram goela abaixo mais uma vez o jeitinho de transformar tudo em pizza sabor amargo.

Preferi me alienar. Estou meio afastada das notícias, a não ser aquelas que me obrigo a saber até pelo meu trabalho, mas que não fariam diferença ao blog (embora muitas delas também me deixem Fê da vida). Como quem não lê, não escreve…

Acho que também estou afastada de mim: estudei jornalismo para me admirar com o novo, criticar o falso, estar a serviço do social, mas não é assim que nada acontece. O sistema é foda, como diria o Capitão Nascimento. Ele prende e sufoca. Não há nada que eu possa dizer de relevante.  Eu só ando pensando: Será que realmente em algum momento a vida vai melhorar?

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Adolescência sem fim

Das verdades indiscutíveis da vida: A idade pesa. Não que eu esteja dobrando o cabo da Boa Esperança, mas é que essa coisa de espírito jovem nunca foi comigo. Percebam que mantenho há anos um blog cujo nome é “FÊ DA VIDA”.  Sempre fui de reclamar como uma velha de 80. Quer dizer, reclamo do que está errado, do que é perverso, mas vivendo no Brasil, acabei não encontrando muita saída para ser diferente.

Se chover, então, ai que eu dano a reclamar mesmo. O Rio é de açúcar e desmancha a qualquer gota d’água. Se chover muito, pode começar a rezar porque terá desabamentos, o sinal do Vírtua vai cair, a luz vai faltar, se for seu dia de falta de sorte então, não vá a lugar nenhum, porque certamente você não vai chegar: Como já se sabe, a Praça da Bandeira vira uma Banheira. A Lagoa também. A Avenida das Américas, a Presidente Vargas, a Oliveira Belo aqui na Vila da Penha, não há exceção. Tudo vira mar, desde sempre e há décadas. Mas tudo bem, o povo sempre vive feliz, só a velha resmungona aqui acha absurdo e posta no blog.

Mas voltando a idade que avança e me piora…

Estou aqui com quase quarenta querendo voltar a faculdade para ver se minha vida financeira tem jeito. Sabem aquele discursinho: “vou ter minha independência, ajudar minha mãe com as responsabilidades da vida, mas dentro do meu canto…”

Quando eu tinha 15 anos, chegava a discoteca no horário de entrada gratuita para fazer malabarismo com os R$10,00 que tinha juntado da merenda durante a semana. Quando saía para fazer um lanche com um namoradinho da época, a gente dividia o refrigerante pra sair mais em conta. Claro, dois estudantes equilibrando os trocadinhos que os pais soltavam eventualmente (Ninguém era filho do Eike Baptista, afinal de contas).

Mas na minha idade, sentir calafrio quando o filho pede para ver Homem de Aço, porque daí você imagina que, mesmo indo no dia que é promocional de meia entrada, após a sessão tem que rolar lanchinho e que não é barato e teu cartão já estourou antes do mês virar… É um constrangimento adolescente.

Quando penso em voltar para a faculdade, retomo a questão vocacional de outrora: Faço o mestrado para dar aulas ou mudo radicalmente de profissão? Abro uma possibilidade para mim. E se abrir essa possibilidade, o mercado para um quarentão, será generoso? Onde tem uma saída para o meu caos?!

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Medos juvenis!

E o pior, é que se os Kardecistas estiverem certos, tenho um espírito velho, preso aqui na Terra há muito tempo, sem evoluir. Apenas purgando coisas das quais eu nem me lembro. Me desespera ainda mais pensar que ao longo dos milênios, passaram por mim pessoas que já estão em planetas fodas, enquanto eu nem decidi ainda o que vou ser quando crescer. Estupida mesmo me sinto quando imagino que muitas vezes tive que escolher um plano de encarnação e fui pedir talentos que não servem pra nada neste mundo.

A anciã aqui quer sossego, mas não acho um veio de quietude.

Não me venham dizer que sou inteligente pra cacete, engraçada pra caramba… Nada disso paga as minhas contas no fim do mês. Nada diminui a frustração de ser uma pessoa mais velha com medos pueris.

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O último a saber

Era uma vez aquela que acumulava funções na esperança de que, com o tempo, o seu trabalho fosse reconhecido e o salário melhorado. Apesar disso, veio ainda uma empresa a mais no grupo e, com ela, algumas outras responsabilidades que ela também teve que acumular sem qualquer aumento (ou menção de) de salário.

Em seu reino distante, outras pessoas também passavam por esta mesma situação vexatória com o mesmo objetivo: Um dia a ficha do tirano cai e saímos do feudalismo e sua escravidão.  O pacto era muito simples,  aquele que conseguisse a chance de ter 15 minutos de voz falaria pelo outro.

E assim, certo dia, a fada madrinha concedeu.

Passe de mágica e criou-se uma burguesia bem remunerada, com seu duplo vínculo, o futuro garantido em FGTS, INSS (se é que isso é garantia de alguma coisa), mas não praquela primeira que esperava ver frutos de suas múltiplas funções e se dedicou neste propósito.

Daquele pacto primeiro foram apenas quem tinha algum laço familiar: esposa, marido, a prima do tirano… Porque assim é este reino: néspota, sujo, escravocrata. Desleal: ilude, mas na hora de escolher, seleciona a dedo os que terão parte em seu quinhão.

Traição?! Sim. Já houve um tempo em que ela quis bradar, mas já não é latente esse sentimento. Descobrir por último os personagens dessa história é tão somente um modo de manter-se mais tempo de pé. Sobreviver sem tanta dor. A dor de constatar que não há saída, não há parceria é retardada quando se tampa o sol com a peneira.

E se você não entende contos (ou deveria dizer entrelinhas?!) entenda apenas que o mundo não mudou. Regridiu. Gladiadores da Idade Média, tentando o dia inteiro decaptar cabeças (A tecnologia avançou, apenas para melhorar as cavernas em que já vivíamos). Não a minha. Em mim apenas mais duas chibatadas e fim (deste) expediente.

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Carnaval Glo-QTristeza

Enfim, passou o último dia de transmissão das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro e, junto com ela, o festival de absurdos de Glenda Kozlowski e Luis Roberto. A queridinha da Rede Globo (que assim como Tandy que caiu nas graças da emissora, nem jornalista é, diga-se de passagem) tem sim, seu carisma no esporte, mas não se pode misturar alhos com bogalhos, já dizia a vovó.

Não tem jeito: para se fazer bons comentários é preciso estar inteirado do assunto. Quando eu era estagiária de rádio, em um programa exclusivo de samba, locutores, produção, equipe de reportagem e comentaristas, eram profissionais que respiravam Liesa. Sabiam da história de cada carnavalesco, entendiam a comunidade, gostavam de samba, acompanhavam cada carnaval, ano a ano, de dentro dos barracões.

Aliás, fica a dica para a Globo: próximo ano, coloca um ponto no ouvidinho dos jornalistas sintonizado ao João Estevam, André Ricardo, Rodrigo Campos entre outros que marcam presença na Sapucaí há tantos anos que falam de escolas de samba como se fossem vizinhos da equipe de carnaval. Ou então, tragam os Vanucci de volta… Porque, sim, ele até podia se atrasar e comer biscoitos, mas ainda assim fazia como ninguém o papel dele durante os desfiles.

Foram muito espaços vazios na programação, sem ninguém ter absolutamente nada a dizer, deixando inclusive passar em branco o desfile de artistas da casa, simplesmente porque ninguém sabia o nome (?). Se o problema não for exatamente empatia dos âncoras, mas falta de gente na produção,estou aqui, viu, Rede Globo?! Sangue novo. Super esperta em TV, noveleira de plantão… Esse tipo de gafe comigo, não. Há pelo menos 17 mil currículos meus na emissora, vamos acordar!!!!

E nem vou jogar todas as minhas pedras na apresentação, não. O Camarote Globeleza também deixou muito a desejar. Me digam:

1-      Que insensibilidade foi aquela de mostrar a nota 8,9 do público na frente do Renato Sorriso que havia acabado de sair da Avenida?!

Deselegância define.  

2-      E os comentários de Haroldo Costa?

Haroldo Costa, qual a sua opinião sobre a São Clemente?
– Lindíssima, belos carros. O carnavalesco teve muita sensibilidade
Haroldo Costa, qual a sua opinião sobre a Portela?
– Lindíssima, belos carros. O carnavalesco teve muita sensibilidade
Haroldo Costa, qual a sua opinião sobre a União da Ilha?
– Lindíssima, belos carros. O carnavalesco teve muita sensibilidade

O cara pode ser ligado a Produções Artísticas e tudo mais, entretanto, quando o assunto é carnaval… Não tinha ninguém pior disponível na data, não?!

Nós que estamos em casa por pura falta de opção, sem grana, apesar de ter estudo pra cacete pra estar no lugar de um cara desses,  vendo esse tipo de coisa… Morre de desgosto!!!

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Novela invade rede social

Enquanto tem gente tacanha que relega a segundo escalão o tipo de entretenimento oferecido pela produção de novelas (e quem as assiste), tem gente contemporânea que viu nisso uma possibilidade de tornar seu trabalho visível. Está no ar, à primeira Tweet-novela do país.

O jornalista Eduardo Fenianos que pelo Twitter responde por @urbenauta está viajando pelo Brasil desde o dia 8 de julho e construindo uma trama pelo microblog: passar pelas 26 capitais do país, além de Brasília, com apenas um salário mínimo por mês. Claro que isso vai dar mais pano pra manga, do que a vingança da Norma, em Insensato Coração. Até porque, ele está por aí, em carne e osso. Não é um personagem protegido no Projac.

Portanto, para viabilizar essa aventura, ele precisa, por exemplo, se hospedar cada dia na casa de uma pessoa diferente. Um estranho, neste país imenso, precisa abrir suas portas para recebê-lo e alimentá-lo, como bom anfitrião.

Acompanhar esses “capítulos” tem sido um prazer.  Ele vai mostrando como é a vida Brasil a dentro, longe dessa realidade cosmopolita cibernética em que estamos inseridos. Tweet a tweet vai se construindo um cenário com particularidades e outros causos factuais. Uma obra aberta e cheia de obstáculos, como qualquer trama das 21h.

Será que ele vai encontrar sinal para manter a promessa de 185 dias de aventura? Eu como não posso me dar ao luxo de colocar a mochila nas costas e o Iphone no bolso para copiar essa ideia, vou torcendo por ele. E viva a reinvenção da novela!

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MTE: 40% dos registros são concedidos a jornalistas sem formação

Segundo o Comunique-se, de cada dez jornalistas registrados no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE),quatro são profissionais sem graduação específica na área.

É o que revelam os dados analisados entre 1º julho de 2010 e 29 de junho de 2011 pelo MTE, após a formalização das normas para os registros de jornalistas com e sem graduação na área. Neste período foram concedidos 11.877 registros, sendo, 113 entregues mediante a apresentação do diploma de Ensino Superior e 40%, ou melhor, 4.764 por meio da Decisão/STF, a partir da ordem do Supremo Tribunal Federal, que em junho de 2009 extinguiu a obrigatoriedade da graduação específica em jornalismo para o exercício da profissão.

 Lamentável!

Você investe em educação nesse país e o que recebe? Marginalização e queixo caído. Esses números, desculpe, ferem o meu coração e, diante deles, não venham chorar barrigas protuberantes como as que mencionei na semana passada.

Sinal de tempos onde à educação e a cultura são cada vez mais desprezadas por nossas autoridades.  Ao menos o Conselho Federal da OAB aprovou apoio às Propostas de Emenda Constitucional (PEC) que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado e exigem diploma para a profissão de jornalista. Nessa hora, qualquer apoio sensato é bem vindo.  E nós, os próprios jornalista, só acharemos motivo pra fazer piada? Pensem e me chamem…

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Curso de Economia para Jornalistas

IMG_0429Esta postagem ficou tão fria que nem chega a ser noticia (ou comentário da notícia que é mais a cara deste espaço), mas  uma forma de agradecimento que não podia cair no esquecimento:

Na última semana (29/09 à 01/10), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o SEBRAE/RJ, ofereceu o curso “Economia para Jornalistas”, no Centro da Cidade. O objetivo era fazer uma atualização do panorama econômico dentro da demanda da mídia , para que os profissionais pudessem aprofundar ou atualizar seus conhecimentos.

Durante a semana, as análises foram divididas em diversas áreas: setorial, ambiental, urbana e regional, social, macroeconômica e internacional, além de apresentar as principais questões sobre desenvolvimento e indicadores econômicos.

Tema pesado, né?! Pois é, para nós, jornalistas também é. Já vi alunos entrarem na universidade querendo trabalhar com esportes e celebridades, mas com economia, nunquinha. Por isso, muitas vezes a gente foge de entender os meandros desse setor que movimenta a sociedade, principalmente se não passamos por essa editoria. Por isso, o IPEA acertou em cheio na divisão de temas e, na escolha dos convidados que procuraram ser o mais didático possível com a platéia.

O evento foi inteiramente gratuito, assim como o material fornecido todas as noites, o coffee break de primeira e os certificados de participação para quem cumpriu a maratona de debates. A infra-estrutura do SEBRAE RJ também foi uma grata surpresa. Quem não foi, perdeu mesmo! Sem redundância

Agora, os diretores e técnicos do Ipea que ministram as aulas seguirão, para Curitiba (PR). Os paranaenses terão o prazer de comprovar o que digo, do dia 26 ao dia 29, no auditório do Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico). Garanta a inscrição.

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