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Pra frente, Brasil!

E finalmente a presidente Dilma tem razão: não é com o PIB que se mede um grande país.

Isso se faz com investimentos em inovação, tecnologia, aeroportos, transportes, estradas, hospitais, escolas – coisas desse tipo que garantem ao cidadão direito de… CIDADÂO! Que paga e não recebe assistência básica, mas deveria.  Ao invés disso, estamos na posição 136 no ranking do Relatório Global de Competitividade 2011-2012.

Infraestrutura, logística e responsabilidade com os custos, não se vê por aqui. A zona é generalizada da rede de energia até a rede de esgoto.

Nesse momento, por exemplo, o governo está chutando para escanteio bilhões de reais construindo ou reformando estádios de futebol. Metade deles não terá lotação máxima nem durante a Copa de 2014; a outra metade vai virar cemitério de dinheiro público antes da final no Maracanã. Mas está todo mundo felizinho com a possibilidade de ver a Seleção Canarinho no Maraca. Assinando em baixo que essa foi uma grande sacada e que trará benefícios no turismo, geração de empregos, legados não sei onde, de não sei o que.

A coisa já não funciona pra gente, que dirá quando chegarem os gringos.

Isso ai, meus caros, foi um carrinho por trás.

Um campo de futebol tem lá seu valor social, mas nunca será mais importante que uma sala de aula. Até porque, depois que desmontarem o circo dos jogos internacionais não vão financiar atletas ou fazer daquilo nada de útil pra sociedade. Nasceram, sim, outras tantas Cidades da Música. Elefantes brancos desnecessários até por valor histórico, que é nenhum!

Não deveriam ter feito festa na praia de Copacabana acenando com Olimpíadas, por exemplo. Deveriam ter feito um plebiscito:

– Querem jogos ou escolas eficientes pro seu filho?
– Querem jogos ou reforma de hospitais para não pagarem plano de saúde?
– Querem jogos ou iluminação pública eficiente?

Se perguntassem, de maneira correta, sem levantar purpurina para os contribuintes que pagam quase 70 impostos diferentes, mas que em geral tem índice de instrução quase zero, nenhum deles aprovaria essa farra do boi.

E, a Senhora presidente, está certa, sim, quanto ao PIB, mas tem sido de uma demência geral, que nunca antes vista na história deste país.

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Dos males o menor

Todo mundo sabe que ando doida para “pular fora do barco profissional” em que me enfiei. Falta desafio na área que escolhi atuar, falta possibilidade de crescimento, falta reconhecimento financeiro, excede as múltiplas funções e com elas os inúmeros problemas. Mas, então, me pego pensando: pelo menos é perto de casa.

Me lembro do breve período na Target e o grande dilema que era: encaro 1 hora de completa apnéia no Metrô Rio ou encaro 2 horas de trânsito dentro de um ônibus que passeia por todas as favelas do Rio de Janeiro?! O trajeto me cansava muito mais que o trabalho em si, que sim, era cheio de desafios dentro da área que estudei (muito) para atuar.

Gente, em qualquer lugar do mundo, levar 30 minutos no percurso de casa para o Centro é algo bem razoável. Para nós também seria. O caso é que levamos o quádruplo do tempo para esse deslocamento em meios de transportes coletivos altamente sucateados. O descaso e a incompetência de sucessivos governos, a tradição de se beneficiar ou quando muito, pensar apenas na parcela mais rica da população, torna a vida muito mais difícil!

Fico olhando na TV toda hora as notícias de que a Supervia parou, que houve confusão… Peraí… Um caminho sem engarrafamento num meio de transporte que não faz fumaça, que não aumenta a poluição seria o ideal para nós, que moramos no subúrbio do Rio. Qual o quê! É só paralização forçada das máquinas. É Metrô entupido de gente e sem ar condicionado.  São ônibus numa escassez que chega a dar medo. São guerras de transportes alternativos, que também trafegam muito acima da capacidade dos veículos.

Tudo bem, sou privilegiada, tenho um carro na garagem. Mas ai vem o Prefeito Eduardo Paes com o Choque de Ordem rebocando tudo e, sem dizer aos motoristas onde há parqueamento possível e acessível para o cidadão estacionar. Sem contar que a gasolina, meus caros, é incompatível ao salário que eu ganho. Preferiria mesmo que o bom e velho Vale Transporte funcionasse em meios de locomoção dignos.

A grande maioria da população dos países desenvolvidos usa transporte público. E não é porque são públicos que são o lixo que temos aqui.  A inexistência de um bom sistema de transporte de massa colaborou para a degradação dos subúrbios, para o adensamento de áreas centrais e até para a favelização — morar perto do trabalho virou essencial.

Então, se não for para ganhar muito mais do que ganho, para sofrer dentro de um metrô novamente, eu vou ficando por aqui mesmo. Uma acomodação até que o mercado de trabalho acorde para o meu talento e mude minha sorte.

Atenção: Eu continuo procurando. Apesar de reclamar, não sou dessas que só reclama. Levanto e vou a luta pelo que quero. Mas encontrando 6 por meia dúzia, entôo o mantra “morar perto do trabalho é essencial” e vou optando ao menos por esse luxozinho, afinal, qualidade de vida também faz diferença no final. Ou não?!

Talvez os grandes eventos esportivos tragam mesmo esse legado de transportes públicos melhores. Eu só acredito vendo (e torcendo). Acredito que este é o mínimo que o governo poderia nos agraciar.

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Cobrança Para Ir e Vir

Essa é para você que sente muito nojinho de pagar R$4,30 ida e volta na Linha Amarela: Vem ai a Transolímpica.

A construção que nasce 17 anos após a LAMSA, vai ligar a Barra à Deodoro, 26km de trajeto com a mesma participação Público Privada (PPP) – alguma dúvida que deu certo? – da primeira via expressa e vai salgar as viagens dos motoristas, cobrando o mesmo valor de pedágio.

A minuta do edital divulgada para consulta pública prevê um gasto na rodovia de cerca de R$ 1,6 bilhão até 2015, mas claro, a via terá 4 túneis, bicicletários, BRT, tudo isso pode ficar bem mais caro… Coitados, eles podem ter problemas nesse percurso… E ai, a concessão por 35 anos pode ser um pouco mais estendido ou o pedágio ficar um pouco mais caro… Quem vai notar? Os brasileiros? Claro que não! Estamos felizes pelas Olimpíadas e por mais essa estradinha que vai passar por grandes centros esportivos…

Faça-me o favor. Esses eventos esportivos só estão deixando de legado mais salmoura para a vida do povo que paga os impostos mais caros do mundo. E ainda tem que pagar para circular dentro da própria cidade, pior ainda, dentro do próprio município.

Não curti!

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É guerra!

E não é que estou com uma dívida de cinco dias para a atualização do blog?! Não porque não tenha ficado Fê da Vida com nada nos últimos dias… Foi na minha cidade que bandidos derrubaram um helicóptero e, também é por aqui que está acontecendo uma guerra cada vez mais sangrenta, que deixam bandidos a solta na rua, enquanto nós, vivemos em pânico, cada vez mais trancados em casa. Neste cenário, se a gente não morre por bala perdida, morre de ódio mesmo.

Fico me perguntando como é que o governo pode querer gastar 854 milhões de Reais    na construção de uma Vila Olímpica, R$60 milhões em um moderníssimo Velódromo para 2016, enquanto o povo fica no meio do fogo cruzado e ainda acha bom. A falta de prioridades e a irresponsabilidade com os gastos públicos, é uma coisa que não tem nem me inspirado mais a postar. Minha única vontade é de sentar e chorar.

O que eu gostaria de saber é se solicito ao governo federal, estadual ou municipal, os equipamentos a prova de balas para que eu consiga transitar e trabalhar no Rio de Janeiro. Afinal, tenho que gerar mais riqueza pros deputados enfiarem nas cuecas (porque não metem uma bomba no *) e salve-se quem puder.

Em sua crítica no Jornal da Globo, o Arnaldo Jabor, foi muito feliz ao concluir que as armas que estão causando esse caos, vem pelo ar, mar e terra e, que para isso temos Aeronáutica, Marinha e Exército.

Quer dizer, não sei. Será que temos?!

Valha-nos Deus, porque a emergência dos nossos homens é fazer mais pizza em CPIs e Olimpíadas para desviarem mais alguma coisa. Eles acham pouco e, nós, não sabemos gritar.

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Digerindo as Olimpíadas

O dia ontem amanheceu com a consolidação do Rio de Janeiro, como sede das Olimpíadas de 2016: praia de Copacabana lotada, delegação brasileira em Compenhagen (Dinamarca) chorando de alegria, a imprensa com holofotes já acesos… Tudo em função da decisão anunciada do COI.

O caso é que o sonho olímpico, como tudo neste país, vai acabar virando pesadelo tributário para os mesmos pobres que hoje comemoram nas areias da praia. Pela proposta brasileira, o governo federal vai arcar com boa parte dos quase 30 bilhões de reais do orçamento previsto para os Jogos no Rio. Alguém tem dúvida que virá “taxa extra do condomínio”?!

Sim. Porque eles vão continuar nos roubando como de costume, mas agora, o município, o estado e o governo federal estão juntos, remando na mesma direção, ou seja, de procurar mais alguma brecha para desviarem milhões e pendurarem na conta da nação.

A primeira providência para isso, será dizer que os cofres estão vazios e eles têm prazos… Podem esperar!

Só fazendo uma rápida retrospectiva, no Pan fizeram essa mesma festa, em prol do esporte e integração social e o que vimos na cidade?  Um desperdício violento de dinheiro, para a compra de uma manada de Elefantes Brancos, que em nada engrandeceram o povo. Um exemplo clássico foram os mais de R$ 80 milhões gastos na construção do Parque Aquático Maria Lenk, que foi, sim, subutilizado, mesmo o “Diário do Rio” jogando confete, para uma possível realização do show de final de ano do Roberto Carlos no local. A finalidade do parque não era só entretenimento, e há quanto tempo mesmo a instalação ficará lá jogada as moscas até o dia da apresentação?!

Agora, esse rio de dinheiro, serviu para um Pan Americano, imaginem para as Olimpíadas que tem a proporção infinitamente maior, qual será a conta?

Alguns economistas dizem por aí que os novos investimentos vão gerar retorno direto e indireto que fará com que em alguns anos, haja o retorno para os cofres públicos de 97% do dinheiro investido. É. Até acreditaria. Se não conhecesse de perto os problemas do Rio, que são de igual tamanho a sua beleza natural e os políticos que governam esse país através da lei “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Olimpíadas por aqui não será sinônimo de pódio social, não temos estrutura pra isso. E salve-se quem puder!

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