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O dia que o ônibus não parou

Eu não desisto! Continuo insistindo em utilizar e confiar no transporte público… Continuo ficando a pé. Depois do Metrô, o motorista de um ônibus passou por cima de mim no ponto, com o dedo esticado e tudo. Prato cheio para os amigos leitores! Praticamente um tributo à Deborah Cardoso, que adora me ver com cara de cão esquecido na mudança.

Mas esse menu, eu servi lá no Mulheres à la Carte. Simbora…

 

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Vejo o Rio de Janeiro

E vejo a Penha também. Quase que da janela de casa. Se esticar um pouquinho o pescoço vejo até boa parte do Complexo do Alemão. Nascida e criada no subúrbio, não preciso nem de consultar literatura especializada para dizer sem errar, que essa área de conflito compreende cerca de 3 KM² de território e abrange, só pra citar alguns,  o Morro do Baiana, o Morro do Alemão, o Morro dos Mineiros, a Nova Brasília, a Pedra do Sapo, a Fazendinha, a Grota, a Caixa D’água, entre outros.

Eu compreendo que somos uma ilha cercados de corrupção por todos os lados. Compreendo que o nosso pacífico povo não tem ímpeto de ação contra isso e espera que o milagre caia do céu e os proteja, mas na minha opinião (atire pedra quem quiser), essa é uma realidade utópica. Tanto quanto essa expressa guerra civil.

Como mencionei o território a ser ocupado é grande. São várias comunidades reunidas, com várias entradas… Me convencer que em duas horas e meia de operação, se estende uma bandeira do Brasil no ponto mais alto e tudo está resolvido, me desculpe, é balela.

Boa parte, daquele monte de traficantes que pareciam fugir como ratos em uma tomada aérea da Globo, na verdade, estão misturados a população local. Quem vai identificar? Ninguém! Se não o fizeram até hoje…

A outra parte, aquela que interessava, fugiu antes da bomba explodir. Ou vocês acreditam que os policiais corruptos deixaram de ser só porque o Lula mandou a tropa nacional?! Claro que passaram aos que interessa todo o serviço “de inteligência” antes.

Alguém já soube de um general em front de guerra? Os marginais seguem a mesma lógica, minha gente. Do contrário o tráfico não tinha o nome de crime organizado e nem havia chegado ao ponto que chegou. Pode ter gente pouco instruída, de poucas oportunidades (pra quem concorda com o pessoal dos Direitos Humanos), mas burros eles não são. Claro que no meio daquela fuga em massa não estavam os donos da situação.

O que aconteceu na região foi a tomada de alguns pontos chaves dentro deste complexo, mas a rendição foi muito fácil… Tomara Deus que eu esteja errada, com a cabeça cheia de teorias da conspiração na cabeça, mas ainda sai coelho desse mato.

Se o Estado realmente estivesse engajado em nos livrar dessa realidade triste, deveriam ter ido sufocar a Baixada Fluminense e a Rocinha, onde eles sabem que tem gente escondida, para não baixar criminalidade em um canto e aumentar em outro. Se é para acabar, vamos acabar de vez.

Eu me ponho em sacrifício. Atravesso a cidade pra lá e pra cá em guerra a troco de ver o titulo Cidade Maravilhosa não ser apenas moeda de troca publicitária. Me desculpem os mais crédulos no sistema.

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Asfalto (parcialmente) Liso

E quando a gente pensa que já viveu de tudo e que político nenhum pode nos fazer mais palhaços ainda, vem um prefeitozinho e te mostra que ainda tem mais o que descer.

Um belo dia eu acordei e aquele asfalto que denunciei no outro vídeo está realmente recuperado. Em parte. Do lado esquerdo da via, eles realmente ajeitaram a pista de rali e afixaram placas informando que a Operação Asfalto Liso passou por ali. Já do lado direito… Desnivelamentos de todos os níveis (asfalto, bueiros, tampas de galerias…)

O outro prefeito recebeu a alcunha de “Prefeito Maluquinho”,  já esse, estou gentilmente apelidando de “Prefeito Cara de Pau”. Não que eu levante bandeira do César Maia (pra mim, nenhum desses prestam), mas pelo menos não cuspa na inteligência do povo, né?! Pelo menos roube com… Dignidade.

Até porque para tirar carteira de motorista, devemos ser alfabetizados, passar por psicotécnico… Não tem nenhum bossal transitando por ai. Tenha a santa paciência, hein, prefeito?

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Cadê o asfalto que estava ali?

As faixas fixadas nos postes informam: “Asfalto Liso. Homens Trabalhando”.

Da Praça do Carmo à Olaria, passando pelo terrível trânsito da Penha, a pista está fresada, esburacada… Se havia ali um asfalto ondulado, conseguiram piorar a situação. Nem a noite os tais homens devem realmente estar trabalhando, porque se tivesse, já deveriam ter conseguido recapear as avenidas.

 E a suspensão dos carros de nós, suburbanos, quem é que paga?

Os políticos conseguem fazer o inimaginável: piorar a vida de quem já vive no ruim! Haja criatividade para sobreviver! E para não dizerem que eu reclamo demais, aqui, eu mato a cobra, quer dizer, arrebento a suspensão e os amortecedores, e mostro a conta que, provavelmente, o prefeito não há de pagar:

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O próximo sangue a jorrar pode ser o seu

lutoSabem o drama da mulher que morreu baleada na favela Kelson’s, na Penha, deixando ferida a filha de 11 meses que estava em seu colo? Pois é, aconteceu bem perto de mim. A mãe de Ana Cristina Costa mora na rua da creche em que minha irmã mais velha trabalha. E não raro, elas eram vistas passando aqui no meu portão com as três crianças, hoje órfãs.

Antes mesmo de conhecermos a notícia da tragédia, soubemos de uma ambulância da SAMU que havia prestado socorro à D. Maria que sofre de problemas do coração. A coitada devia de ter recebido a notícia naquela hora.

Pois é, a violência está cada dia mais perto. Não importa quanto mais alto a gente coloque os muros ou quanto mais grades se consiga instalar, esse tipo de fatalidade é uma constante.

Não sei vocês, mas o termo selva de pedra para mim tem feito muito sentido, na hora de descrever nossa realidade. Não me espantaria nenhum pouco, se nas nossas divisas, encontrasse uma placa: “temporada de caça aos humanos”, porque quando abro o portão da minha casa, já me sinto uma presa fácil. Posso ser abatida pelo rifle da nossa despreparada PM ou pela mira da bandidagem que anda cada vez mais senhora de si, tamanha a impunidade.

Animais enlouquecidos suam a camisa pela sobrevivência. Vence o mais forte. Vence a maior sorte. Até às duas da tarde de hoje, tive a oportunidade de continuar com saúde e refletir sobre o medo que me assola dia e noite. Daqui para o fim do dia, Deus permita que as balas se percam noutra direção.

Vira essa boca pra lá?! Viro.

E fecho os olhos também, para fazer de conta que tudo vai bem, porque meu clã tem sobrevivido com a graça de Deus. Mas até quando vamos viver como seres irracionais, aceitando tanto descaso das nossas autoridades e tendo um cérebro que pulsa dentro das nossas cabeças?

Até quando?!

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