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O difícil mundo das mães

Estamos chegando a mais um Natal, como o mundo está acelerado, acho que minhas reflexões de fim de ano também já abriu sua temporada, talvez, porque mais uma vez tenho que me perguntar o que dar ao meu filho de presente (na verdade, por duas vezes, já que ele faz aniversário logo no início do ano também). Não tanto pelo objeto em si, mas por vê-lo amadurecido precocemente, falando de tecnologia como um especialista do “TechTudo” e outros assuntos que não condizem com a sua idade.

Nos anos 90, quando tinha sua idade, ainda estava mais pra uma moleca, descalça, jogando queimado na rua. O cabelo em rabo de cavalo, muito pouco preocupada com a ostentação de poder ou não jogar alguma coisa graças a potência do seu aparelho de informática. Aliás, informática aqui em casa, nem existia. Era um Atari e olha lá.

Quando ele era pequeno, ofereci muitos lápis de cor, guaches, canetinhas, massinhas de modelar… Ele adorava esse kit. E tinha uma imaginação muito boa em seus rabiscos.  Mas ai, um dia, tive a infelicidade de mostra-lo como se desenhava no Paint e de repente, ele largou a papelada pra brincar exclusivamente com a máquina.

Hoje, para levá-lo ao cinema, é quase uma batalha travada em casa. Não o vejo envolvido com atividades compatíveis com a sua idade. Ou será que não existe mais jogar bola? Queimado? Arrebentar o joelho?! Me preocupa.

Mas ai, vem as notícias do Crack: Mulheres, jovens envolvidos nessa terrível realidade, ainda sem cura. E o meu menino protegido aqui em casa. Pedindo pra eu brincar de Minecraft com ele. Não tenho a menor destreza pra andar com o personagem ou montar qualquer coisa, o meu máximo de potencial pro jogo é AngryBirds, no celular, mas sento ao seu lado e percebo que apesar de se movimentar pouco, ele está bem protegido no seu mundinho onde posso olhar. E é quando penso: será que errei tanto?

Será que seria melhor pra ele, aos 12 anos, estar experimentando esse mundo precocemente do avesso, onde meninas dão a luz nesta idade? Onde outros tantos estão experimentando a primeira pedra de Crack? Será que a educação que eu deveria dar é essa de sair de casa a meia noite, pro baile não sei das quantas?

Será que eu sou tão ruim como mãe que não achei o meio termo do Admirável Mundo Novo para oferecer ao meu filho?! Só sei que não gostaria que esta fase da vida dele passasse em branco e, infelizmente, não sei se minhas escolhas foram válidas para a formação da sua personalidade. Me sinto perdida…

Reconheço que ele precisa de atualização constante pras tecnologias, porque este é o mundo que vamos deixar para esta geração, mas ainda assim, gostaria de vê-lo novamente pintando um papel… Ou coisa que o valha. E não sei onde estão esses amigos que pudesse compartilhar isso com ele e como inserir essas atividades lúdicas, digamos assim, nesta rotina já tão virtual dele.

E tudo isso só porque preciso de um presente de natal.

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