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Sistema Único de (não) Saúde

Ontem minha mãe estava com uma aguda crise de estômago. Desde a noite anterior não comia nada, nem bebia água. Aí, antes de mais nada vocês me perguntam:

Caramba, você deixou tua mãe passando mal 24 horas até socorrê-la?

Pois é. Ela não é mais uma menina. Estava escondendo a situação e se auto medicando. Quando a coisa ficou evidentemente grave, coloquei ela (contra a vontade) no carro e… Começa a via crúcis:

Primeira parada o Pan de Irajá.

Entramos pela lateral, onde deveria estar a emergência. Só encontramos dois funcionários fumando na escadaria

– Emergência, senhora? Não tem mais. Só no UPA 24h, perto do Metrô de Irajá.

Segunda parada UPA 24h.

Eu disse VINTE-E-QUATRO HORAS? UPA seria o que mesmo? Unidade de PRONTO atendimento?

Pois é… Nem uma coisa, nem outra.

– A senhora vai aonde?
– Socorrer minha mãe, não te parece?
– Ela é diabética ou hiper tensa?
– É hiper tensa.
– É que lá dentro temos 15 pessoas no aguardo. Já passou da hora da médica que está atendendo. SE o médico da noite vier, ainda tem essa fila aqui fora de 5 pacientes. Aconselharia procurar outra unidade…

Ou seja, se for diabética ou hiper tensa, problema é o nosso. Porque a médica tem hora e outro plantonista é incógnita.

Ainda bem que os dois hospitais ficam bem perto do cemitério, né?! Se depender do nosso excelente Sistema Único de Bandalha, digo, de Saúde, é melhor escolher uma cova por lá e esperar sua hora em lugar estratégico.

Felizmente, eu que já pago pela saúde com meus impostos,  posso pagar de novo por uma consulta particular para socorrer minha mãe. Esse foi o final da história: R$130,00 em uma clínica por consulta, exame e medicação. Glória a Deus!

Enquanto tem político enfiando dinheiro na meia, o povo morre na fila, aliás, aos outros 20 que deixei na espera, espero de coração que tenham tido  sorte!

E depois a gente ainda não pode usar o blog para desabafar (minha solidariedade a amiga blogueira Claudia Mello que publicou em 2007 o ‘excelente atendimento médico’ que recebeu e foi condenada a pagar R$2.940,00 ao sujeito que nem a examinou.). A Justiça nesse país, assim como a saúde (e todo resto) funciona de maneira duvidosa.

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